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10 passos para compreender as opções terapêuticas no cancro renal

1 in 20 webO cancro renal é diagnosticado em mais de 300.000 pessoas em todo o mundo por ano. O cancro renal é o 12.º tipo de cancro mais comum no mundo, igualando o cancro do pâncreas. Menos de 1 em 20 pessoas com cancro tem cancro renal, o que significa que é uma doença bastante rara.
Para obter mais informações sobre as estatísticas do cancro renal por país, clique aqui.

Nesta secção, vai saber mais sobre os diferentes tipos de cancro renal, as causas conhecidas do cancro renal e como o cancro renal pode ser tratado desde as fases iniciais até uma fase mais avançada da doença. Continua a haver necessidade de realizar mais investigações e novos tratamentos para vários tipos de cancro renal.

Estas informações fornecem contexto para várias terapêuticas, incluindo algumas das terapêuticas imuno-oncológicas mais recentes que estão a ser investigadas.

Para obter mais informações sobre tratamentos imuno-oncológicos, leia aqui: Compreender a imuno-oncologia

1. O que é o cancro?

Fotolia 61364218 S webuma série destas palavras para descrever o cancro. Uma palavra mais formal é neoplasma, que significa "novo crescimento". Os especialistas médicos poderão definir o cancro como um "neoplasma de tecido anormal, cujo crescimento excede e não está coordenado com o tecido normal e persiste depois de removido o estímulo do seu crescimento".

Os nossos corpos são compostos por células. Cada tecido, cada órgão e todas as partes do nosso corpo são compostos por estas células, que são todas muito diferentes consoante estejam no fígado, coração, sangue ou rim.

Os nossos corpos estão sempre a criar novas células para que possamos crescer, para substituir células gastas ou para curar células danificadas após uma lesão. Normalmente, este processo é muito controlado.

Por exemplo, quando se corta, as células cutâneas recebem um sinal de "avanço" para se começarem a dividir. Quando o corte estiver cicatrizado, as células cutâneas recebem um sinal de "paragem" e param de se dividir. Este processo é controlado por instruções e receitas nas células, os chamados "genes". Todos os tipos de cancro são causados por alterações nestes genes denominadas mutações.

As alterações nos genes que causam o cancro ocorrem normalmente durante a nossa vida, embora um pequeno número de pessoas herde essas alterações de um familiar. Existem variadíssimos tipos de cancro e o cancro pode afetar quase todos os órgãos do corpo. O local em que se encontra o cancro, o tipo de tumor em causa e as mutações genéticas que causaram o cancro podem determinar qual o melhor tratamento para esse cancro.

2. O que é o cancro renal?

kideny with tumourGráfico do rim com tumorO cancro renal é um tipo de cancro que surge das células renais. Outro nome para o cancro renal é "carcinoma de células renais". O tipo mais comum de cancro renal é o "carcinoma de células claras".

O cancro renal descreve todos os tumores que se formam no rim. Mas nem todos os cancros renais são iguais. É importante saber o tipo de cancro renal que tem (consulte a Pergunta n.º 3). Os cancros que derivam do revestimento da uretra – o tubo que percorre desde o rim até à bexiga – são normalmente mais semelhantes ao cancro da bexiga e, por isso, não são normalmente designados por cancro renal.

As mutações que causam o cancro acumulam-se normalmente durante a nossa vida; por isso, tal como a maioria dos outros cancros, o cancro renal tende a ocorrer em pessoas com mais idade. A idade média das pessoas nas quais se deteta cancro renal é 55 anos. O cancro renal é raro nas crianças. O cancro renal começa por ser pequeno e pode crescer bastante ao longo do tempo. Normalmente, o cancro renal cresce como uma massa única, mas poderá ocorrer mais de um tumor em um ou ambos os rins.

Se o cancro renal for tratado nas suas fases iniciais, é muito provável que seja curado. Se as células de cancro renal se espalharem, podem espalhar-se para o tecido envolvente ou para outras partes do corpo. Quando as células renais atingem um novo órgão ou osso, podem continuar a crescer e formar outro tumor (uma "metástase") nesse local. O cancro primário é um cancro que se formou num órgão (neste caso, no rim), mas não se espalhou para outras partes. Aplicam-se outras palavras, como "localizado" ou "precoce", se o cancro primário não se tiver espalhado. O cancro renal avançado (ou metastático) é o mesmo cancro que se iniciou no rim, mas que agora se espalhou para outra parte.

Este cancro secundário ou "metástase" continua a ser composto por células cancerígenas renais, mesmo que surja no pulmão ou noutra parte do corpo. É raro um cancro de outra parte do corpo se espalhar para o rim.

 

3. Quais são os tipos de cancro renal?

kidney cancerNem todos os cancros renais são iguais.

Os cancros renais:

  1. podem derivar de diferentes células do rim e, assim, ter diferentes "sabores" ou "subtipos" de cancro (para mais informações, leia a secção sobre histologia);
  2. podem apresentar um crescimento lento ou mais agressivo ("grau");
  3. e podem ser maiores ou menores ou ter-se espalhado para fora do rim ("estadio").

Todos estes fatores podem afetar:

  • o nível de agressividade do tumor e a probabilidade de se espalhar.
  • o tratamento (se houver algum) que o paciente deve receber.
  • em que ensaios clínicos o paciente deve participar.

Histologia

O cancro renal pode ser subdividido em vários "sabores" ou "subtipos" em função do aspeto das células cancerígenas ao microscópio (a "histologia" do cancro). Normalmente, o tipo de cancro renal não é importante para efeitos de cirurgia, mas pode ser essencial se for necessário um tratamento adicional posteriormente.

As principais histologias são:

histo webCarcinoma de células claras 75%, carcinoma de células papilares cerca de 10% a 15%, carcinoma cromófobo é responsável por cerca de 5%, outros a menos de 1%

  • Carcinoma de células claras: A forma mais comum de cancro renal, abrangendo cerca de 75% das pessoas com carcinoma de células renais. Quando visualizadas ao microscópio, as células individuais que constituem o carcinoma de células renais de células claras aparentam estar vazias ou claras.
  • Carcinoma de células papilares: Cerca de 10% a 15% das pessoas têm esta forma de cancro renal. Estes cancros formam pequenas frondas semelhantes a dedos (denominadas papilas, daí "papilares").
  • Carcinoma cromófobo: É responsável por cerca de 5% dos casos. As células destes cancros são grandes e pálidas e têm determinadas características distintas.
  • Carcinoma sarcomatoide: Vários dos outros tipos de cancro renal podem transformar-se em carcinoma renal "sarcomatoide". O aspeto das células cancerígenas ao microscópio é mais agressivo e desorganizado.
  • Carcinoma de translocação: Um tipo de cancro renal que ocorre raramente, mas na maioria em crianças ou jovens adultos. Em alguns casos, pode ocorrer em pessoas que já receberam quimioterapia para tumores malignos, preparação de transplante de medula óssea ou doenças autoimunes.
  • Carcinomas uroteliais: Também denominados carcinomas de células transicionais (CCT), são cancros que se formam no rim a partir do revestimento do sistema de drenagem do rim, em vez das próprias células do rim. Estes cancros são muito semelhantes ao cancro da bexiga.
Para descobrir que tipo de cancro renal tem, leia o seu laudo anatomopatológico ou pergunte à sua equipa de cuidados de saúde.
 

Grau

Cada um dos tumores de cada paciente é diferente em termos de agressividade e aspeto; trata-se do "grau" do tumor. O grau de um cancro indica se as células no cancro são quase uniformes e bem organizadas, quase como um órgão ou tecido normal seria visualizado ao microscópio (baixo grau), ou se o cancro tem um aspeto muito desorganizado e as células apresentam diferentes tamanhos e formas (alto grau).
gradesAs células a partir de baixo grau do lado esquerdo (células parecem semelhantes às células normais) de alto grau à direita (desorganizado e diferente na forma)

 

Estadio

O estadio de um cancro descreve o tamanho do cancro e se se espalhou ou não. Esta classificação ajuda a orientar o tratamento e pode ajudar a planear os cuidados de acompanhamento de longo prazo. Quando o estadiamento se baseia apenas na avaliação clínica, chama-se estadio clínico. O exame microscópico do tecido afetado determina o estadio "patológico". Um sistema de estadiamento é uma forma padronizada de a equipa de cuidados oncológicos descrever a extensão do cancro.

O seu médico vai determinar o "estadio" do seu cancro renal com base no seguinte:

  1. Tamanho do tumor ("estadio T")
  2. Disseminação do cancro para gânglios linfáticos próximos ("estadio N"). Um gânglio linfático é como um posto da polícia; é uma pequena glândula redonda que compõe parte do sistema imunitário e engloba glóbulos brancos. Infelizmente, as células cancerígenas gostam de se espalhar para os gânglios linfáticos.
  3. Disseminação do cancro para outros órgãos (p. ex., metástases para o fígado, pulmão ou osso; "estadio M")
Os quatro principais estadios do cancro renal abaixo baseiam-se neste sistema de estadiamento TNM, que é um dos métodos para "definir o estadio" do cancro renal.
 

 

Estadio 1                                    stage1 web
 
 
 
O tumor cancerígeno encontra-se apenas no rim e não se propagou.
O tumor cancerígeno tem um tamanho inferior a 7 cm.
Se for possível remover o tumor cancerígeno, é muito provável que seja curado com cirurgia.
9 em cada 10 pessoas sobrevirão e estarão livres de cancro cinco anos após uma operação.
Estadio 2  stage2 web
 
O tumor cancerígeno tem um tamanho superior a 7 cm, mas continua confinado ao rim e não se propagou para fora do rim.
A cirurgia é uma boa opção de tratamento.
A taxa de sobrevivência após cinco anos continua a ser muito alta após a cirurgia ao cancro renal de estadio II.
Estadio 3  stage3 web
 
O cancro renal propagou-se para as proximidades do rim, mas não se propagou para órgãos distantes.
Por exemplo, o tumor cancerígeno pode ter-se propagado para a gordura à volta do rim, para os vasos sanguíneos que saem do rim ou para os gânglios linfáticos próximos do rim. A cirurgia é muitas vezes o tratamento certo. A possibilidade de cura por cirurgia é mais baixa, mas não é nula.
Estadio 4 
 stage4 webmetastases
 
O cancro renal espalhou-se amplamente para fora do rim; para a cavidade abdominal, glândulas suprarrenais, gânglios linfáticos distantes ou outros órgãos, como os pulmões, fígado, ossos ou cérebro. Neste momento, é muito improvável curar este estadio de cancro, mas vários tratamentos podem ajudar.

 

4. O que causa o cancro renal?

Risk factorsTal como a maioria dos tipos de cancro, o cancro renal é causado por mutações que se acumulam ao longo do tempo no seu corpo. Tal como muitos outros tipos de cancro, o cancro renal surge com maior frequência em pessoas com mais idade, sendo uma doença observada em adultos com mais de 40 anos. Existe uma série de outros fatores de risco que são importantes no desenvolvimento do cancro renal:

Fumar: O tabagismo duplica o risco de desenvolver cancro renal. Esse risco é reduzido para os níveis de risco da população em geral se a pessoa deixar de fumar. Deixar de fumar em qualquer altura e em qualquer idade é uma excelente ideia. Nunca é demasiado tarde.

Sexo: Os homens têm duas vezes mais probabilidade de serem diagnosticados com cancro renal do que as mulheres.

Obesidade: Ter excesso de peso ou ser obeso parece estar associado a um risco acrescido de desenvolver cancro renal nos homens e mulheres.
Pressão arterial alta (hipertensão): A pressão arterial alta é considerada um fator de risco para o cancro renal.

Pedras nos rins: Ter pedras nos rins está associado a um risco mais elevado de desenvolver cancro renal nos homens.

Exposição a compostos tóxicos no trabalho: As pessoas que estão regularmente expostas a certos químicos podem ter um risco acrescido de cancro renal. Esses químicos incluem o amianto, chumbo, cádmio, solventes de limpeza a seco, herbicidas, benzeno ou solventes orgânicos e produtos petrolíferos, bem como o ferro e aço no caso das pessoas que trabalham na indústria metalúrgica.

Diálise de longa duração e doença cística adquirida: Receber um tratamento de diálise durante um longo período de tempo pode causar quistos renais. O cancro renal poderá desenvolver-se a partir das células que revestem esses quistos.

Se quiser obter mais informações sobre estes riscos, clique aqui para visitar o sítio Web da International Kidney Cancer Coalition (Coligação Internacional de Associações de Cancro Renal) ou contacte a organização local de pacientes com cancro renal.
 

A minha família está em risco de desenvolver cancro renal?

HereditaryAs pessoas que têm familiares com cancro renal, especialmente um irmão, têm um risco acrescido. Isto poderá dever-se aos genes que são transmitidos dos pais para os filhos. As mutações genéticas hereditárias causam apenas 3-5% dos casos de cancro renal.

Os sinais de que o seu cancro renal poderá ser hereditário incluem:

  • tem mais de um tumor no seu rim (tumores multifocais)
  • tem tumores em ambos os rins (tumores bilaterais)
  • tem uma forma mais rara de cancro renal (um carcinoma de células renais de células não claras)
  • outros membros da sua família tiveram cancro renal
  • teve o seu primeiro tumor renal antes dos 50 anos de idade.

Se apresentar qualquer destes fatores de risco e achar que poderá ter um cancro renal hereditário, fale com o seu médico.

 

Tipos de cancro renal hereditário

Existem vários tipos de cancro renal hereditário. No futuro, poderemos ter mais informações sobre novos genes que causam cancro renal. Entretanto, se achar que o seu cancro renal pode ser hereditário, fale com o seu médico.

  • Síndrome de Von Hippel-Lindau (VHL). Esta síndrome é causada por uma mutação no gene VHL e normalmente causa CCR de células claras.
  • Leiomiomatose hereditária e cancro de células renais (LHCCR). É causada por uma mutação no gene FH e normalmente causa CCR papilar tipo 2.
  • Carcinoma de células renais papilar hereditário (CCRPH). É causado por uma mutação no gene MET e normalmente causa CCR papilar tipo 1.
  • Síndrome de Birt-Hogg-Dubé (BHD). Esta síndrome é causada por uma mutação no gene FLCN e normalmente causa CCR cromófobo ou oncocitoma.
  • Carcinoma de células renais com paraganglioma e feocromocitoma hereditários. É causado por mutações no gene SDHB ou SDHD.
  • Carcinoma de células renais familiar de translocação do cromossoma 3. É causado por uma translocação do cromossoma 3. A translocação de um cromossoma é quando parte de um cromossoma se separa e se liga a um cromossoma diferente.
  • Complexo de esclerose tuberosa (TSC). É causado por uma mutação no gene TSC1 ou TSC2 e normalmente causa um tipo de cancro renal denominado angiomiolipoma. Estes tumores são benignos, mas têm um grande número de vasos sanguíneos que podem rebentar e provocar uma hemorragia interna fatal se não for tratada.

Se existir um historial de cancro renal na sua família, é importante informar o seu médico para que possa ser testado. Se o teste indicar que tem um tipo hereditário de cancro renal, outros membros da sua família podem ser testados, de modo a que qualquer sinal de cancro possa ser tratado precocemente quando é mais fácil de curar.

Em casos raros, as crianças podem ter cancro renal, mas normalmente desenvolvem diferentes tipos de cancro renal em relação ao dos adultos. Os tipos mais comuns de cancro renal na infância são o tumor de Wilms e o nefroblastoma. No entanto, já ocorreram casos raros de crianças com CCR ou adultos com tumor de Wilms. Além disso, existem outros tumores renais maioritariamente benignos.

5. Como é que as pessoas descobrem que têm cancro renal?

Muitos cancros renais não causam sintomas; são encontrados acidentalmente durante um exame, raio X ou ecografia que tenha sido solicitado para outro problema. Quando o cancro renal causa sintomas, estes podem ser não específicos, ou seja, muitos dos sintomas que o cancro renal poderá causar podem ser erroneamente atribuídos a outras causas, como infeção urinária ou pontada muscular.

A maioria dos cancros renais não causa dor senão nos estadios avançados quando se começa a espalhar. Muitas pessoas com cancro renal não têm consciência de que têm um tumor senão quando fazem um exame para outro problema de saúde.

Fale sempre com o seu médico se apresentar algum destes sinais ou sintomas (clique aqui)

  • Sangue na urina ou variações na cor da urina para mais escura, enferrujada ou castanha (hematúria)
  • Dores na lombar, dores abdominais ou dores laterais que não estejam associadas a uma lesão
  • Dores abdominais (área do estômago)
  • Perda de peso
  • Pressão arterial alta recém-desenvolvida
  • Cansaço constante
  • Febre ou suores noturnos que não estejam associados a outros problemas de saúde

Todos estes sintomas também pode ser causados por outras doenças. Se apresentar qualquer um destes sintomas, é importante consultar o seu médico para que possa descobrir o que o está a causar.

O cancro renal é detetado com mais frequência por mero acaso, mas, se apresentar algum dos sintomas listados acima, fale com o seu médico. Tal como com todos os tipos de cancro, a deteção precoce pode aumentar as probabilidades de um tratamento bem-sucedido e resultados de longo prazo. O seu médico pode utilizar diferentes abordagens, testes e investigações para diagnosticar o cancro renal, dependendo dos sintomas apresentados.

Os testes mais comuns para cancro renal (clique aqui)

Os testes mais comuns que podem ser solicitados incluem:

  • Ecografia: Um tipo de exame em que uma sonda desliza sobre a pele e a equipa de radiografia procura irregularidades no rim e noutros órgãos.
  • Exames: Exames de tomografia axial computorizada (TAC) ou ressonância magnética (RM) podem ser utilizados para obter imagens detalhadas dos órgãos do corpo. Podem ajudar a caracterizar um caroço no rim, se um for detetado.
  • Radiografia ao tórax: Uma radiografia dos órgãos e ossos no tórax.
  • Análise à urina (urinálise): O sintoma e o sinal mais comum de um tumor renal é sangue na urina. Esta análise também pode detetar outras irregularidades na urina, como proteína.
  • Análises sanguíneas: Análises químicas ao sangue podem detetar achados associados ao cancro renal.
  • Exame ósseo: Uma pequena quantidade de material radioativo é injetado numa veia e desloca-se pela corrente sanguínea até aos ossos de modo a que o aparelho possa detetar se o cancro se espalhou para os ossos.

A maioria dos cancros renais é inicialmente descoberta através de exames (ecografia, TAC ou RM), que apresentem algo semelhante a um "caroço" no rim. No entanto, isto não prova que se trata de cancro renal, pelo que deve ser examinado ao microscópio para se ter a certeza. Por vezes, as suspeitas do seu médico poderão ser de tal forma que ele recomende cirurgia imediata; outras vezes, o seu médico poderá mandar fazer uma biopsia. Durante a biopsia, é utilizada uma agulha fina para remover algumas células do tumor. Em seguida, um médico vai observar as células para determinar se são cancerígenas ou não. Até 20% das pequenas massas (ou caroços) nos rins são não cancerígenas.

6. O meu cancro só está nos rins: que tratamentos posso receber?

Poderá parecer estranho, mas, para algumas pessoas com pequenos cancros nos rins (estadio 1), o primeiro melhor tratamento é frequentemente a observação ou "vigilância ativa". Se tiver uma idade mais avançada ou apresentar problemas médicos significativos, poderá ser mais seguro observar primeiro o cancro através de vários exames e várias consultas a um especialista oncológico. Uma vez que vários casos de cancro renal são descobertos por acaso em exames recomendados por outros motivos, está agora a detetar-se uma série de pequenos caroços nos rins. Os cancros renais inferiores a 3 cm muito provavelmente não se espalharão para outras partes do corpo e, por vezes, o risco de morrer durante uma operação é superior aos benefícios da cirurgia. As pessoas que optam pela vigilância ativa com os seus médicos devem continuar a receber cuidados de acompanhamento regulares, caso o tumor cancerígeno comece a crescer.

Se tiver um cancro maior no rim, normalmente, a cirurgia é o primeiro melhor tratamento. A cirurgia para remover cancro nos rins é realizada por um cirurgião especializado chamado Urologista ou Uro-oncologista (um Urologista especializado em oncologia). A cirurgia poderá remover uma parte do rim (denominada "nefrectomia parcial") ou todo o rim, que se denomina "nefrectomia radical". Poderá ser necessário realizar a cirurgia com uma incisão de grandes dimensões (uma nefrectomia "aberta") ou poderá ser possível através de uma cirurgia laparoscópica (uma nefrectomia "laparoscópica"), que resulta numa estadia hospitalar mais curta e numa recuperação mais rápida. Se o tumor cancerígeno for pequeno (estadio 1, <7 cm), poderá ser possível efetuar uma nefrectomia "parcial", em que o rim normal restante pode ser poupado. Se o tumor cancerígeno for maior (estadio 2), ou começar a espalhar-se próximo do rim (estadio 3), então todo o rim é removido.

Tratar um tumor cancerígeno renal localizado sem cirurgia?

Em algumas pessoas, não é possível efetuar uma operação devido à sua idade ou outros problemas médicos. Poderá, contudo, ser possível tratar um cancro renal localizado sem cirurgia utilizando outros tratamentos. Estes incluem:

  1. Ablação por radiofrequência (ARF): em que uma agulha com uma antena micro-ondas é inserida no tumor cancerígeno sob anestesia local e o cancro é "queimado" desde o interior.
  2. Crioablação: em que uma série de sondas são inseridas no tumor cancerígeno e depois arrefecidas com azoto líquido para congelar as células cancerígenas. Este tem um efeito semelhante ao da ARF, mas pode exigir uma anestesia geral.
  3. Radioterapia estereotáxica corporal (SBRT): Esta radiação mais recente controlada por computador foi testada no cancro renal e em muitos outros tipos de cancro. A SBRT administra várias pequenas doses de radiação a partir de vários ângulos, de tal forma que uma dose terapêutica de radiação atinge o tumor cancerígeno, mas os órgãos e tecidos normais à volta do tumor são apenas ligeiramente afetados.
Se tiver um tipo de cancro renal hereditário, é possível que apareçam mais tumores nos rins no futuro. Por esse motivo, o seu cirurgião poderá sugerir uma abordagem diferente no seu caso. Os pacientes com tipos de cancro renal hereditários necessitam de uma estratégia de longo prazo, pelo que devem ser observados por um especialista em cancro renal sempre que possível.

Existe algum tratamento que posso receber para ajudar a garantir que o cancro não regressa?

Em muitos tipos de cancro, as pessoas podem receber tratamentos adicionais como "apólices de seguro", de modo a reduzir a possibilidade de regresso do cancro. Poderá já ter ouvido falar de quimioterapia, terapêutica hormonal ou radioterapia como tratamentos adicionais ("adjuvantes") para o cancro. Estes tratamentos não parecem funcionar em pacientes com cancro renal e os ensaios clínicos recentes sobre fármacos típicos para o cancro renal (por exemplo, sunitinib, sorafenib) também não conseguiram demonstrar um benefício para os pacientes como tratamentos adicionais e adjuvantes para ajudar a impedir a recidiva.

Existe, porém, um grande interesse na imunoterapia como tratamento adjuvante do cancro. Pergunte ao seu médico se está a decorrer algum ensaio clínico de imunoterapia para o cancro renal.

Acompanhamento após o tratamento?

Todos os sobreviventes de cancro devem receber cuidados de acompanhamento. Quando concluir o seu tratamento ao cancro, vai estabelecer um plano de cuidados de acompanhamento com a sua equipa médica, que poderá incluir consultar uma série de profissionais de saúde.

Em geral, os sobreviventes do cancro renal regressam ao seu especialista a cada três ou quatro meses durante os primeiros anos após o tratamento e uma ou duas vezes por ano depois disso. Nessas consultas, o seu médico vai analisar os efeitos secundários associados ao tratamento e vai observá-lo para garantir que o cancro não regressou (recidiva) ou não se espalhou (criou metástases) para outra parte do seu corpo. O tipo de exames a realizar vai depender do estadio e grau do cancro renal. Tal como acontece na maioria dos vários tipos de cancro, a possibilidade de recidiva do cancro é mais elevada logo após o tratamento. Quanto mais tempo passar depois do tratamento, mais probabilidade terá de o cancro não regressar. No entanto, a sua equipa médica vai querer acompanhá-lo durante algum tempo. Em alguns países, os pacientes com cancro renal são acompanhados durante 5 anos após a cirurgia inicial. A sua organização de pacientes poderá indicar-lhe as diretrizes de acompanhamento específicas do cancro renal no seu país ou noutros países.

7. O meu cancro espalhou-se do rim para outras partes do corpo: que tratamento posso receber?

Nas pessoas com cancro renal avançado, em que o cancro se espalhou para órgãos distantes, normalmente, o cancro não é curável. Por conseguinte, o objetivo do tratamento é prolongar o mais possível a vida e torná-la o mais normal possível. Poderão ser recomendadas combinações de diferentes tratamentos por diferentes médicos, incluindo urologistas, oncologistas médicos que prescrevem medicamentos contra o cancro e oncologistas de radiação que tratam as pessoas com radiação. Durante todo o processo, esta equipa de especialistas vai trabalhar consigo e com o seu médico de família para o ajudar a controlar os seus sintomas e viver uma vida o mais normal possível. Os tratamentos para o cancro renal avançado incluem:

Vigilância ativa (observação)

Em algumas pessoas nas quais o cancro renal se espalhou, o tumor cancerígeno poderá estar a crescer tão lentamente que a primeira opção acertada é observá-lo atentamente. Isto acontece especialmente quando o tumor cancerígeno foi descoberto por acaso. Se o tumor cancerígeno começar a crescer rapidamente ou causar sintomas, então serão recomendados tratamentos ativos. Uma pequena percentagem de pacientes poderá viver sem sintomas de cancro durante muito tempo, por vezes anos; por isso, o seu médico poderá aconselhá-lo a observar durante um período de tempo, caso isto se aplique a si.

Ensaios clínicos

Um ensaio clínico é, por vezes e erroneamente, considerado um "último recurso", mas, devido aos seus tratamentos com melhorias rápidas, deve ser considerado o "primeiro porto de escala". Um ensaio clínico é uma forma de testar novos tratamentos ou tratamentos antigos usados de outra forma. Os ensaios clínicos não são adequados para todas as pessoas; nem todas as pessoas são adequadas para um ensaio clínico. Se um ensaio clínico estiver disponível, poderá ser uma oportunidade interessante a ter em conta. Uma pessoa espera sempre que o novo tratamento seja melhor do que os tratamentos padrão, mas, por vezes, não funciona melhor do que o anterior. Fale com o seu médico para obter informações sobre os ensaios clínicos ou utilize algumas das sugestões na secção "Descobrir ensaios clínicos IO" para identificar os ensaios clínicos que possam ser adequados para si.

Cirurgia para remover um tumor cancerígeno que se espalhou

Num número muito reduzido de pessoas, o cancro espalha-se apenas para um ou dois locais; se este for o caso, pode ser possível tentar eliminar todos os tumores cancerígenos (uma "metastectomia"). Alguns pacientes podem viver vidas longas nestas circunstâncias, mas isso só se aplica realmente aos pacientes que tenham apenas um ou dois pontos noutras regiões do corpo que possam ser removidos em segurança.

Cirurgia para remover um tumor cancerígeno no rim

Normalmente, a cirurgia não cura o cancro renal que se espalhou, mas pode ser recomendada para prevenir sintomas e problemas associados ao cancro. No entanto, se o cancro renal que se espalhou não estiver a causar muitos problemas e se não tiver outros problemas de saúde, há evidências de que remover o tumor cancerígeno original no rim melhora a sobrevivência e ajuda outros tratamentos a funcionarem melhor. Esta nefrectomia "citorredutora" seria realizada pelo seu urologista (ou uro-oncologista).

Comprimidos que bloqueiam os vasos sanguíneos (terapêutica direcionada)

A quimioterapia não é utilizada no cancro renal. O tratamento médico atual para o cancro renal baseia-se em comprimidos que impedem o fornecimento de sangue ao tumor cancerígeno, o que abranda ou suspende o crescimento do tumor e, por vezes, provoca o seu encolhimento. Estes comprimidos têm como alvo sinais específicos no tumor cancerígeno e também se denominam "terapêuticas direcionadas". Outros nomes para este grupo de fármacos são "terapêuticas antiangiogénicas" e "inibidores da tirosina quinase". Embora estes comprimidos não sejam quimioterapia, eles têm efeitos secundários. Os inibidores da tirosina quinase utilizados para tratar o cancro renal são: axitinib, pazopanib, sorafenib, sunitinib. Muitos outros fármacos desta família estão em desenvolvimento e em várias fases de investigação e aprovação. Os fármacos mais recentes incluem o cabozantinib e o lenvatinib:

  • Os resultados do ensaio de Fase III do cabozantinib (METEOR) foram apresentados durante a Conferência ECCO em setembro de 2015 e posteriormente publicados na New England Journal of Medicine: Resultados do ensaio do cabozantinib
    Em Abril de 2016, CABOZANTINIB foi aprovado pela FDA (EUA) para o uso no cancro renal metastático. Para mais informações leia aqui: FDA/cabotzantinib
  • Os resultados do ensaio de Fase III do lenvatinib foram apresentados na ASCO 2015 e publicados em The Lancet Oncology: Resultados do ensaio do lenvatinib
    Em Maio de 2016, lenvatinib administrado em combinação com everolimus foi aprovado pela FDA (EUA) para o uso no cancro renal metastático. Para mais informações: FDA/lenvatinib

Comprimidos que bloqueiam o crescimento do tumor cancerígeno

Um segundo grupo de medicamentos para o cancro renal bloqueia outro sinal ("inibidores de mTOR"). Normalmente, são utilizados apenas se os comprimidos que bloqueiam o fornecimento de sangue deixarem de funcionar. Os inibidores de mTOR utilizados para tratar o cancro renal são o everolímus e o temsirolímus.

Outros medicamentos

Estão a decorrer novos ensaios clínicos para determinar se outros tipos de sinalização celular podem ser desativados para prevenir o crescimento do cancro renal. Um potencial inibidor é um inibidor do MET que funciona noutros tipos de cancro e é particularmente importante no carcinoma de células renais papilares.

Outros novos tipos de inibidores estão a ser investigados em ensaios clínicos sobre o cancro renal.

Imunoterapia

Antes de 2006, a imunoterapia com interleucina-2 (IL-2) e interferão alfa era habitualmente utilizada para tratar o cancro renal que se espalhou para outras partes do corpo (cancro renal metastático). Estes fármacos funcionaram para algumas pessoas ativando as células T exterminadoras, que são a parte do sistema imunitário que destrói as células cancerígenas. Estão a ser testados novos tipos de imunoterapia em ensaios clínicos sobre o cancro renal. Para obter mais informações sobre as imunoterapias mais recentes, clique aqui.

Radioterapia

Utiliza radiação de alta energia para matar as células cancerígenas. A radiação pode ser muito útil se o tumor cancerígeno causar vários problemas numa localização, por exemplo, cancro nos ossos que causa dor, cancro nos rins que causa hemorragia, cancro no cérebro que causa inchaço. A radiação é predominantemente utilizada como forma de controlar os sintomas (por exemplo, dor).

Cuidados paliativos

A paliação não significa o "fim da estrada" ou que o cancro se encontra nos seus estadios terminais. Os cuidados paliativos são todos os tratamentos que a sua equipa recomenda para melhorar os seus sintomas e melhorar a sua qualidade de vida. O seu médico de família, o seu médico oncológico e os seus outros médicos ajudá-lo-ão com isto. Por vezes, consulta-se médicos e enfermeiros de cuidados paliativos, que muitas vezes podem dar conselhos especializados. O tratamento paliativo pode melhorar a qualidade de vida pelo facto de aliviar os sintomas associados ao cancro avançado.

8. Onde é que a imuno-oncologia se integra no tratamento para o cancro renal?

Esta é a pergunta à qual os investigadores de cancro renal em todo o mundo estão a tentar responder. A verdade é que temos bastante esperança, mas atualmente temos mais perguntas do que respostas. A única forma de saber as respostas é concebendo e executando ensaios clínicos e partilhando amplamente as informações.

Por agora, convém recordar que nem tudo o que lê nos jornais está correto em termos factuais. O que torna um artigo de jornal um bom artigo não é necessariamente verdade.

Nos próximos anos, esperamos compreender melhor o seguinte:

  • Há um papel para a imuno-oncologia no tratamento padrão do cancro renal?
  • Que pacientes têm mais probabilidades de beneficiar? Quem não vai beneficiar?
  • Que testes podem ser realizados com antecedência para escolher o tratamento adequado a cada paciente?
  • Quando é a melhor altura do tratamento para utilizar medicamentos imuno-oncológicos?
  • Há um papel para a imuno-oncologia antes da cirurgia? Após a cirurgia? Após outros medicamentos? Em combinação com outros medicamentos?
  • Há formas de conseguirmos maximizar os benefícios da imuno-oncologia e, ainda assim, minimizar os efeitos secundários para os pacientes?
  • Qual é o melhor tratamento para a qualidade de vida do paciente?
A verdade é que ainda não temos as respostas a estas perguntas sobre o cancro renal. Os resultados de outros ensaios sobre outros tipos de cancro são certamente animadores e esperamos partilhar mais informações de ensaios clínicos de todo o mundo. Para obter mais informações, leia: Compreender a imuno-oncologia

9. O que dizer em relação a terapêuticas alternativas e complementares?

Terapêuticas alternativas:

Todos queremos ter os melhores cuidados de saúde para nós próprios e para os nossos entes queridos. Se não estiverem disponíveis terapêuticas médicas padrão adequadas, terapêuticas "alternativas" poderão ser propostas por amigos e familiares bem intencionados ou na Internet.

Estas terapêuticas são "alternativas" porque não foi cientificamente comprovado que encolhem os tumores cancerígenos ou que ajudam os pacientes. Pior ainda, poderá ter sido comprovado que não ajudam ou que até prejudicam. Exemplos de "tratamentos" alternativos inúteis ou prejudiciais incluem vitaminas em megadose, produtos de ervanária ou dietas extremas. Um bom sítio Web para verificar se uma "terapêutica" alternativa foi desmistificada é www.quackwatch.org.

Algumas terapêuticas alternativas podem interferir com os medicamentos normalmente prescritos por um médico, prejudicando o paciente. Assim, é importante informar o seu médico ou enfermeiro se estiver a considerar estas terapêuticas.

Terapêuticas complementares:

Por outro lado, as terapêuticas complementares podem "complementar" os tratamentos médicos estabelecidos, melhorando a qualidade de vida ou os sintomas. Estas terapêuticas incluem meditação consciente, técnicas de relaxamento, terapêutica com massagens de reabilitação, psicoterapia, oração, ioga, acupressão e acupunctura. Se existir alguma possibilidade de o cancro renal se espalhar para os ossos, a quiroprática ou osteopatia não será uma boa ideia.

10. Qual é o meu prognóstico?

Esta é uma questão difícil para ser discutida entre si e o seu médico. Há uma série de perguntas que pode colocar ao seu médico e uma série de aspetos a ter em consideração.

Quando uma pessoa ouve falar das estatísticas de um tipo de cancro, ou do benefício de um tratamento, é importante recordar que, muitas vezes, estas estatísticas se baseiam na experiência de centenas de pacientes. O que lhe acontecerá a si, enquanto pessoa individual, só pode ser vagamente deduzido a partir dessas estatísticas. Os tipos de cancro de algumas pessoas são muito agressivos e os tratamentos falham nessas pessoas. Outras pessoas têm tipos de cancro com um crescimento muito lento ou recebem benefícios significativos se tomarem um fármaco. Uma forma de o seu médico lhe poder dar alguma estimativa de como poderá ser o seu futuro é falando sobre os piores e os melhores cenários possíveis.

É igualmente importante recordar que ninguém tem uma bola de cristal e qualquer previsão do futuro é apenas a melhor suposição. À medida que vai desenvolvendo uma relação com o seu médico e equipa de cuidados de saúde, vai percebendo melhor o desenrolar do percurso da sua doença oncológica. Muitas das questões discutidas acima podem influenciar o prognóstico e compreendê-las pode ser importante para ajudar a prever o que o futuro pode reservar.